Esse texto, publicado em 2004, na revista Pais & Filhos fala sobre a criação da primeira versão do blog. Por Leo Villanova.
O resultado do exame confirmou o que eu tanto esperava: a partir daquele mês, nós seríamos três. A emoção foi grande, não sabíamos se ríamos ou se chorávamos.
Mandamos flores para as futuras avós, contamos para os amigos e começamos a contagem regressiva: faltavam 40 semanas.
Semana é a unidade básica dos grávidos. A cada semana que passa, a mamãe ganha algumas gramas e perde algumas roupas. Tem horas que passam voando, tem horas que parecem dias, mas as mudanças sempre acontecem semana-a-semana.
E no decorrer dessas mudanças, muita gente não percebe que o pai também fica grávido. É que a nossa gestação não se dá na barriga, mas na cabeça, no bolso e no coração. A gente não sente as contrações, mas sente um “frio na barriga”. Tudo muda em nossa vida a partir desse momento: a responsabilidade, o plano de saúde, a farra com os amigos, a barriga da sua mulher, o saldo da sua poupança, a cor dos seus cabelos, o quarto-e-sala fica pequeno, logo, o seu endereço muda... Enfim, as coisas mudam, mas mudam para melhor.
Para acompanhar esses bons momentos, resolvi criar um site na Internet, em forma de blog, a fim de registrar a gravidez de Juliana e compartilhar, com amigos e parentes que moram longe, a espera da baixinha. Assim nasceu o www.gravido.com.br. Uma gestação paralela, sem nenhuma expectativa nem maiores pretensões, mas que foi se desenvolvendo, semana-a-semana, e que nos ajudou durante a gravidez.
Sempre quis ser pai e, através do blog, pude tentar entender melhor o que isso significa. Ali, parei para refletir e escrever sobre essa maravilhosa, e muitas vezes, ansiosa espera. Rapidamente, o blog foi sendo cada vez mais lido e visitado. Mila ganhou muitos tios e tias virtuais e nós ganhamos muitos amigos. Pessoas que chegaram lá para dar uma força, desejar coisas boas e deixar opiniões sobre livros, amamentação, parto, chupetas, babás... (Chegamos a ter posts - como são chamados os textos publicados num blog - com mais de 200 comentários). E eu, lá, me questionando sobre essa tal paternidade.
Escrever o blog ajudou essa ficha a cair. Apesar de que, a ficha só caiu mesmo quando fui registrar Mila no cartório. Não foi o registro nem a certidão. Foi meu carro. Explico: é que no estacionamento, voltando do cartório, vi algo diferente no banco de trás e me perguntei: o que é aquilo? Era o bebê-conforto de Mila que estava lá, pronto para levá-la pra casa, depois do hospital. Naquela hora percebi que eu já não era mais o mesmo. Meu carro, acostumado a levar violão, prancha, livros e “fins-de-semana prolongados”, a partir de agora vai levar minha filha para onde eu for. E isso muda tudo.
Bom, voltando ao blog... acredito que a Internet, além de todas as vantagens já conhecidas, é uma ótima companhia para o casal grávido. Navegar na web é ótimo para marinheiros e pais de primeira viagem, como nós.
Hoje, depois de semanas, ultrasons, fraldas e posts, tenho duas mulheres em casa. E sou apaixonado por elas.